Viajo. Sento-me num rochedo onde parei para descansar da minha caminhada.
Vejo uma garra na figura de um pássaro pousado no barco da intersexualidade.
Um louco caminhando para mim, atraindo uma fobia intrínseca na aura que emite.
Olhos de pavor de um passado de sofrer, cicatrizes deixadas por chuvas corrosivas.
A música no seu ser não arranja maneira de fazer sentido, tudo é diferente.
Tenta executar a dança da serpente, o falso inculpado.
Imita o gordo que passa fome, que rouba para beber e mendiga por alimentos.
No centro de cem mil néones, debaixo do nevoeiro de meninos esfomeados, o louco tenta uma aproximação.
Um pobre génio da sua própria realidade.
O povo assiste, cobarde, ao medo verdadeiro, ao pânico que leva à alteração de todos os sentidos.
Uma visita a uma realidade perdida no meio de uma ditadura irracional, onde nenhum objecto tem a característica de conceito.
Amo-te, que dor, que saudade, ali nuas. Rios de ouro em pedra preta.
Força física surge das profundezas do instinto. Uma gruta com o éden no fim, onde se constroem monumentos aos valores pessoais.
Uma prece a Deus surge do instinto mas não consegue transpor a parede espessa que o separa da alma.
O milagre deu-se mas deixou marcas. Naqueles tempos era tudo mais confuso mas mais simples.
O meu corpo já envelheceu. Jovem ainda, mas amaldiçoado com um demónio moribundo.
Aleatoriedade, assustadora aleatoriedade...
Aquele quarto estranho e nu...
Há 16 anos