Morte, morte ao intruso!
Não deixeis impune a intrusão!
Assassinai-o, torturai-o!
Expulsai-o do nosso caixão…
Arrastai-o pelo chão;
Apedrejai o coitado;
Atirai-o de um corrimão;
Deixai-o ao relento esfolado.
Foram anos de prejuízo,
Foi demasiada boa vontade,
Muitos cabelos, muito juízo,
E agora desaba a nossa cidade.
Sob os nossos pés descalços
Riem-se o chão e a poeira;
Acima, neblina e álcool,
Mil lágrimas de videira.
Seriam actos de maldade?
Se é que tal coisa existe…
Ou seria apenas o choro,
Gritos de uma criança triste?
Tiraste-lhe o negro do cabelo;
Tiraste-lhe a vida do olhar;
Tiraste-nos tudo o que é belo;
Deixaste-nos lentamente a sangrar…
Teremos a coragem de pecar,
Pois esgotou-se a paciência!
Não há outro método de julgar,
De confirmar a inocência…
Façamos o necessário,
Não nos resta alternativa.
Para julgar esse vigário
Valha-nos alma vingativa.
Aquele quarto estranho e nu...
Há 16 anos