segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Rosa de Cinzas

Os meus dedos atingiram o pretendido bloco de notas, e abri-o numa página qualquer.
Rotineiramente, meti-me lá dentro, deixei-me lá.
Uma página bastou para o desabafo incompleto.
Arranquei-a e dobrei-a em quatro.
Mais uma vez.
A chama do isqueiro lambeu uma aresta e, mais rapidamente do que surgira, toda a matéria minha foi consumida languidamente pela metástase do isqueiro já apagado.
Como já acontecera tantas vezes, abri-me numa rosa de cinzas e o vento rasgou-me as pétalas que se enegreciam e levou-me consigo para sempre.
No relvado onde ardi ficou a marca escura e eterna das memórias roubadas.
Pela última vez…
Os meus dedos atingiram o pretendido bloco de notas, e fui a correr escrever.
Pela primeira vez, para sempre.