quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Encontro inocente

Foi num encontro inocente
Em que a vi por mero acaso.
Numa sala cheia de gente,
Fiquei a seu lado sentado.

Eram ainda vivos os dois,
Foi preciso aquele olhar:
Ainda existia um depois,
Olhos nos olhos, rio no mar.

Aqueles meses de nevoeiro
Deixaram na ferida sal;
Haviam estado em cativeiro,
Não lhes fizeram funeral.

Uma mão na tua pele,
Um sorriso espontâneo,
Um abraço, mil chuvas
Sobre nós em simultâneo.

Uma mão sobre o teu seio,
Tímida ou intencional?
Tão quentes, mil chuvas
No meu e no teu quintal.

Enormes nos corações,
Ainda vivem em cativeiro;
Não são precisos perdões
Para inocente prisioneiro.

É só preciso acreditar
Nestes versos que exponho:
Nunca a porta fechar
Para manter este sonho.